quarta-feira, 14 de setembro de 2011

VAMOS LÁ VER! (IV)

Antes de prosseguir sugere-se a leitura da terceira parte deste artigo.
Existem também pessoas que ficaram presas no tempo e que continuam a fazer uma disparatada diferenciação entre súbdito e cidadão. Acontece que hoje em dia, em pleno século XXI, não há súbditos no sentido quase medieval que essas pessoas conhecem. A palavra ‘súbdito’ ainda é, de facto, utilizada (embora em raríssimos casos) mas somente porque “é bonito e fica bem”. No entanto, considerando os poucos casos em que tal palavra ainda é usada (no contexto da actualidade), súbdito assume o significado de cidadão com todos os direitos e deveres que lhe são característicos.

De uma vez por todas parem de usar esta palavra como arma de arremesso contra a Monarquia e os monárquicos. Parem de mostrar tanta ignorância.

Há ainda quem escave o poço que é a sua ignorância afirmando que os Reis assumem um direito divino de o ser. Este pensamento é ainda mais ultrapassado que o anterior! É verdadeiramente deprimente saber que existem pessoas que pensam desta maneira. É certo que nas Monarquias por vezes surge a expressão latina ‘Dei Gratia’ ou, traduzindo, ‘Pela Graça de Deus’ mas isso deve-se a uma questão de tradição. É uma expressão que foi sobrevivendo aos séculos, adquirindo, contudo, novos significados consoante a época. Para os crentes, porém, terá um significado extra: o de aceitar que aquele Rei o é porque Deus assim o permitiu. Num país onde existe liberdade de pensamento e liberdade religiosa, os crentes estão no seu direito de assim pensar (em boa verdade podem pensar assim mesmo na ausência da referida expressão). Naturalmente será algo difícil de compreender por parte de um não crente mas ninguém o obriga a ver essa expressão sob esse significado extra: podem ficar unicamente pela questão da tradição, que já não é coisa pouca se for bem analisada/compreendida.

Mais a mais esse título (se é que assim se pode chamar) raramente é usado nas monarquias actuais, significando que está claramente a cair em desuso. O exemplo mais óbvio será o do ouro amoedado dos países onde S.M a Rainha Isabel II (repararam a ausência do ‘título’ em questão?) reina. Nessas moedas ainda continua a existir a expressão ‘Elizabeth II Dei Gra Regina’. A tradicional libra de ouro é, possivelmente, o exemplo mais conhecido.

Esta questão acaba por se prender com o facto da Monarquia fazer uma ponte entre o passado e o presente muitas das vezes mantendo vivas tradições antigas (algumas das quais adaptadas aos tempos modernos).
(continua …)

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