segunda-feira, 30 de maio de 2011

MONARQUIA JOVEM NA SIC RADICAL

Recentemente, vi na Internet um vídeo, excerto do programa da Sic Radical “Curto Circuito”, transmitido nos princípios de Maio. Era uma entrevista feita ao Presidente da Juventude Monárquica de Lisboa, Duarte Seabra. Gostaria de escrever alguns comentários acerca do que vi e do que fiquei a pensar:

O ponto que mais me chamou a atenção é o facto de o formato do programa em si não ser o mais adequado para transmitir mensagens políticas muito elaboradas. Além de serem dois apresentadores, estes cortam muitas vezes a palavra ao entrevistado e criam um ambiente que é mais de conversa que de entrevista. Para programas deste tipo, o ideal é transmitir ideias da forma mais curta e perceptível possível. Uma frase não deve durar mais de 15 a 20 segundos a ser dita e o discurso não deve ser muito apressado à custa disso. Visto isso, parece-me que o nosso jovem monárquico não soube jogar com o formato do programa. Notou-se a sua falta de à-vontade e algum nervosismo, quer no tom rápido e algo atrapalhado do discurso, quer na facilidade com que se perdia no que estava a dizer ao ser interrompido, ou entrar por exemplos. Tentou falar como se estivesse num debate ou entrevista, na qual o entrevistador ou moderador tenta não cortar a palavra a quem convidou, por isso demorava demais, queria dizer tudo tintim por tintim e falava muito rapidamente para não ser interrompido. O resultado foi um discurso pouco claro, pouco esclarecedor e com várias gafes.

Quando ao nosso colega Duarte Seabra foi perguntado qual a grande diferença entre monárquicos e republicanos, a resposta que deu foi desapontante. Começou bem, quando resumiu ao dizer “eu sou monárquico, sou igual a ti em tudo, a única diferença é uma opinião em que eu sou monárquico e tu és republicano”. De facto assim é. Os monárquicos não são «avis raras», não vivem num passado quimérico, num qualquer quinto império. Vivem o seu dia-a-dia, trabalham, vão à escola, ficam presos no trânsito, chateiam-se com as namoradas, aturam o chefe etc. Assim, o nosso colega monárquico começou por falar bem, mas depois perdeu-se. Quis explicar porque é monárquico e não o soube fazer. Fiquei sem perceber porque se preocupou mais em clarificar que não é monárquico por influência familiar do que em dizer porque o é.

Por outro lado, fez bem em colocar Isabel II da Grã-Bretanha como um caso de excepção, por governar várias monarquias e não uma só. Com efeito, o passado imperial britânico (ainda muito recente) assim como o prestígio e poder que tem como rainha de vários tronos importantes (recorde-se só o peso mundial da economia do Reino Unido, Canadá e Austrália juntas) dá à monarca britânica um estatuto separado nas monarquias europeias.

De resto, parece-me que muito do que é a monarquia e o papel do rei numa monarquia europeia ficou por explicar bem, ou pelo menos de forma que se entendesse. Abordou bastante o papel do rei como representante da nação, o seu papel de moderador isento na vida política nacional e soube salientar a melhor preparação política que os reis levam para as suas funções, e que falta aos presidentes (cuja eleição abre portas a muitos indivíduos bem falantes mas totalmente incompetentes). Mas ter um rei em vez de um presidente tem muito mais que se lhe diga! Não era necessário explicar tintim por tintim cada uma destas ideias, bastava ter dito mais ideias de um modo mais breve, sem divagar em explicações detalhadas que o formato do programa não  favorecia.

Por último, refere que o Centenário da República foi excelente porque se debateu a Monarquia e caíram por terra muitas ideias pré-concebidas sobre ela. Eu pessoalmente não concordo totalmente com isso. É verdade que houve imensos debates, e que muitas ideias que existiam foram postas de lado. Mas por outro lado, não deixa de ser verdade que foi também oportunidade para uma massiva campanha de branqueamento da História, por parte das instituições do Estado, que procuraram de algum modo reabilitar a Primeira República e o ideário republicano junto da massa mais popular. Houve programas de televisão em televisão pública onde a ideia passada da Monarquia era tão má que se tornava anedótica e risível para mim, mas que pessoas mais ingénuas engolem facilmente! Balanço da intervenção televisiva do nosso correligionário?
 
Honestamente não me pareceu negativo. Mas também não foi positivo. A desadequação entre o formato do programa e o que ele queria dizer e fazer deram azo a muita ideia mal explicada, a muita interrupção e a uma intervenção que, em suma, não deixou a monarquia mal vista mas também não convence ninguém acerca dela. Também não ajudou estar tão nervoso, ou parecer tão nervoso, e falar de modo tão rápido.

Filipe Manuel Dias Neto

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