segunda-feira, 17 de outubro de 2011

NEO-REALISTA

Imagem criada por Zé Barreiro
A meu ver, penso que nós monárquicos do século XXI devíamos ser considerados neo-realistas.

Há certos autores que utilizam essa designação, derivada do inglês Royalist.

Mas Realista era a designação dos partidários de D. Miguel I do século XIX. E como, nós monárquicos, somos facilmente rotulados de conservadores (no sentido reaccionário do termo),penso que devemos pensar numa forma moderna para a nossa designação, sejamos miguelistas ou não.

O prefixo neo significa algo de novo, de renovado. Uma forma de estado monárquica no século XXI é uma realidade completamente diferente do que no século XIX. E utilizar neo é uma forma de demarcar da confusão que só o termo realista pode trazer por si.

Infelizmente, e todos sabem bem, somos conotados a uma ideia do passado. Isso dificulta-nos a divulgação da novidade que os neo-realistas representam.

E se queremos demarcar dos conceitos clássicos que estão associados a uma forma de estado monárquica, temos de ter cuidado na forma como nos designamos.

Esta designação que proponho é uma lógica de quebra com práticas passadas. Mais do nunca, a monarquia é uma forma de estado que privilegia dois aspectos, como fazia antes de 1910: As formas de governo democráticas e a defesa de uma sociedade diferenciada, em que o Rei é de todos e gera união em torno do bem estar da Pátria e Território comum a todos os cidadãos, independentemente da etnia, religião, ideologia ou opções pessoais.

Assim, a revolução francesa é um acontecimento historiográfico que serve de base para o desenvolvimento do conceito de monarquia século XXI. Por isso, as formas de governo autoritárias ou liberais não são admissíveis numa forma de estado monárquica.

Isto, porque o autoritarismo numa monarquia é contra-natura. Se Luís XVI de França foi cedendo progressivamente o seu poder à assembleia nacional, não me parece que nos dias de hoje seja possível um monarca dispor de um poder ilimitado.

Temos que ter em conta o “barateamento” da informação em si e a organização dos canais de informação em rede. Que ridículo seria se um candidato a uma coroa defendesse a figura régia, como de natureza divina.

Uma forma de governo liberal é restringida. Isto, porque o individuo só têm direitos cívicos consoante o seu rendimento e estatuto. O que põe em causa a igualdade de todos perante a lei.

Esse facto vai contra a concepção de uma sociedade diferenciada no neo-realismo.

Perante um capitalismo anárquico, em que através da formação de castas financeiras, a actividade produtiva é dominada pela especulação financeira sem regras; a forma de estado republicana tende constantemente para a oligarquia.

Isso tem como consequência uma sociedade hierarquizada através do capital.

É uma continuação de uma sociedade desigual da idade moderna, em que a condição de nascimento determina o indivíduo.

Na aplicação correcta do neo-realismo, a organização social é diferenciada. Todos os cidadãos são iguais. Apenas diferenciam-se pelas suas próprias características e escolhas, nunca, significando uma situação de inferioridade.

Isto, porque o Rei não sendo refém de quaisquer condicionantes aleatórias de carácter político ou capitalista, nunca vai permitir a formação de pequenos grupos paralelos a um estado de direito que dita regras à boa maneira feudal, a república de Condes de que falava o saudoso Hipólito Raposo.

Daniel Nunes Mateus

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